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26 de nov. de 2013

Card games desenvolvem o intelecto

Por Igor Vasconcellos

Os card games (ou jogos de carta em português) são nada mais do que brincadeiras com um baralho não convencional. Esses cards geralmente possuem figuras, cada uma com uma característica diferente, fazendo uma função específica durante o andamento do jogo.
Loja Shaman Games. Foto: Divulgação
 Em geral, o intuito desses jogos é derrotar os oponentes com suas criaturas poderosas, ou conjurando seus feitiços. Os card games mais famosos são o Magic: the Gathering, jogo lançado em 1993 e até hoje o mais famoso; Pokemon Training Card Games, que é baseado no desenho que ficou famoso na TV brasileira; e Yu-Gi-Oh, também originado de um "animé" que passava na TV.

O estudante de Direito Rafael Borges, 23, começou a jogar esse tipo de modalidade intelectual (mais especificamente o Magic) quando tinha por volta de treze anos. Hoje ele é proprietário da única loja de Salvador especializada no assunto (Shamangamesba.com.br).

“O jogo me ajudou muito com noção de matemática, inglês (boa parte do game é em língua inglesa), lógica e raciocínio rápido”, declarou Rafael. Ele avalia que os benefícios dos cards para as crianças são muitos e que é importante para os pequenos aprenderem essas e outras modalidades de jogos, como os de tabuleiro por exemplo, desenvolvendo principalmente o raciocínio lógico e interagindo socialmente com as outras crianças, visto que hoje em dia, crianças e adolescentes passam o dia todo na frente do computador. Veja no vídeo abaixo o que Rafael fala sobre o tema:


Estudante de Gastronomia da UFBA, Raphael Augusto, 23, sempre teve interesse por jogos e interações com outras pessoas, e desde os oito anos é apaixonado por tudo que envolva o desenho japonês chamado Pokemon. Quando descobriu o card game de Pokemon, com nove anos, foi muito fácil para Raphael unir o útil ao agradável. “Foi quase que instantâneo, quando vi uma loja nos Estados Unidos vendendo o jogo, comprei na mesma hora”, disse o futuro Gastrônomo.

Procurando sempre marcar com os amigos para brincar, Raphael sempre procurou se informar sobre o assunto, sobre os novos cards, mesmo quando não tinha tempo para jogar. Raphael também declarou que grande parte dos amigos que fez foi através do card game e que seu inglês começou a se tornar fluente com a ajuda da paixão por jogos interativos. Veja no vídeo abaixo como Raphael entrou no mundo dos Card Games:


Ana Júlia Souza, Engenheira Civil, 48, enfrentou problemas com os jogos com cards. Seus dois filhos jogam, mas um deles acabou se dedicando mais aos card games do que aos estudos, atrapalhando sua vida escolar e fazendo com que ele repetisse o ano no colégio. “Meu filho fez muitas amizades no jogo, fico feliz por isso, pois ele sempre foi tímido e costumava ter poucos amigos, mas recomendo às mães serem rígidas e não deixarem seus filhos trocarem a escola pelo vício das cartas”, declarou Ana. Veja no vídeo abaixo a declaração de Ana sobre o assunto:


Como toda atividade e brincadeira, esses cards devem ser jogados nas horas de descanso das crianças, mas nunca podem tomar o tempo das atividades escolares e nem atrapalhar outras coisas de maior importância.

20 de nov. de 2013

Brincando de ser criança

Por Aline Valadares
 
A palavra de ordem é brincar. Ao contrário do que alguns pais e daqueles que costumam dar “pitacos” na educação alheia acreditam, os brinquedos e as brincadeiras têm uma importância e um alcance maior do que o do simples fato de entreter os pequenos. A fala e a coordenação motora são exemplos de funções que podem ser desenvolvidas mais rapidamente e de maneira saudável com esta atividade, que em alguns momentos é considerada secundária.

Para Larissa Ornellas, professora doutora em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise, é brincando que a criança se desenvolve. Se a criança não brinca, este pode ser um indício de adoecimento. Além das questões físicas, a criança aprende a lidar com seus sentimentos. “O brincar é importante porque nele a criança projeta suas fantasias, seus desejos e frustrações”, explica a professora.

Nas mãos de Arthur Messeder, 3 anos, qualquer objeto vira brinquedo e qualquer ideia se transforma num cenário de brincadeiras. Sua maior cúmplice é a mãe Michele Nix, 24 anos, que mergulha no mundo da imaginação e das fantasias com o pequeno para começar mais uma brincadeira. São muitas ideias incentivadas por ela e desejos revelados por ele. 


Arthur se diverte na piscina de bolinhas com sua melhor companhia, a mamãe. Foto: arquivo pessoal
Com os dois lados em acordo, Michele dá as dicas: “existe um mundo de possibilidades. Contar história, desenhar, pintar, se fantasiar (pode usar um lençol) e fazer teatrinho. Vestir a roupa e os sapatos dos pais é sempre muito divertido e engraçado. Dançar junto uma música que ele goste, ou quem sabe todas as músicas do DVD do Patati Patatá. Fazer comidinha: separe os ingredientes e peça ajuda para misturar. Não se preocupe. Se sujar, limpa! Pega-Pega, esconde-esconde. Assista filmes com ele(a), e por favor, leve seu filho a praia”.

Plantar e cozinhar estão na lista de brincadeiras da dupla de mãe e filho. Foto: Michele Nix

Nos primeiros meses de vida tudo é novo. Para a mãe e para os seus bebês que começam a ter contato com o mundo externo. Para Mariana Borges, 24 anos, mãe dos gêmeos Pedro e Alice de 7 meses, as brincadeiras têm sempre um objetivo de estimular. 

“Quando eu pego um brinquedo e coloco distante deles, eles precisam engatinhar para alcançá-lo. Isso já conta como um estímulo à coordenação motora e também é legal para a criança reconhecer o espaço físico em que ela vive. Com Pedro e Alice eu procuro sempre fazer brincadeiras iguais, justamente para observar como cada um entende o que eu estou pedindo. Por serem gêmeos, eu faço questão de incentivar a brincadeira entre eles e aí fica tudo mais divertido”, observa Mariana.

Mariana se diverte com os gêmeos Pedro e Alice. Foto: arquivo pessoal
Uma das preocupações dos pais e parentes é o tipo de brinquedo. O medo de errar no brinquedo e na brincadeira se dá pela capacidade que a criança tem de absorver e reproduzir ideias e comportamentos do mundo externo. Veja o vídeo com os gêmeos Pedro e Alice brincando juntos:




“A escolha do tipo de brinquedo adequado precisa respeitar a idade cronológica. O amadurecimento psíquico-afetivo da criança é fundamental. Cada idade demanda uma forma diferenciada e escolhas de brinquedos diferenciados, se isso não for respeitado pode atrapalhar. Uma estimulação insuficiente é prejudicial ao desenvolvimento da criança, como também uma hiperestimulação, não respeitando o ritmo cognitivo-afetivo da criança, também pode prejudicar seu desenvolvimento”, explica Larissa Ornellas, que é mãe Clara, de 9 anos. 

Ainda de acordo com a professora e psicanalista, o brincar não é algo ensinado. Acontece de forma espontânea e é através das brincadeiras que a criança se representa simbolicamente enquanto sujeito no mundo. Quando brinca, a criança sai do egocentrismo que caracteriza seus primeiros anos de vida.

Uma ressalva surge para os pais e educadores quando o assunto é brinquedo eletrônico. Videogames, aplicativos de celulares e computadores. Todos aparentemente indefesos, mas que podem causar mais danos do que é possível imaginar. 


Maiane Nunes, 26 anos, mãe de Maine de 6 e de Rian de 3, assume que é necessário estar conectado com o mundo através das novas tecnologias, mas se preocupa com os efeitos a longo prazo que podem causar nos seus filhos. “De certa forma é bom saber que nossos filhos estão se adequando ao século 21 e atualizados, porém todo cuidado é pouco. Alienação e sedentarismo são preocupantes”, revela.

Maine e Rian, filhos de Maiane, brincam juntos no quintal de casa. Foto: arquivo pessoal
Larissa traz um alerta: “o excesso no uso dos jogos eletrônicos é a impossibilidade da criança engajar no ato do brincar a dimensão corporal, a tridimensionalidade do corpo no espaço, a vivência física do ato motor que envolve as brincadeiras fora do virtual”. Ela ainda completa: “nos jogos virtuais a criança encontra-se solitária diante de uma tela, não há o brincar compartilhado".

Um dos fatores que ficam comprometidos com o excesso de jogos eletrônicos que marcam a nossa contemporaneidade é o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos primários. “As possibilidades de vivências das percepções sinestésicas, olfativas e gustativas ficam comprometidas e a longo prazo podem prejudicar o desenvolvimento neuro-cognitivo das crianças. Por isso a limitação do uso dos jogos virtuais em termos de tempo é imprescindível nas trocas educacionais entre pais e filhos”, alerta Larissa. 

Michele prefere não tê-los em casa, pelo menos por enquanto. Acredita também que o incentivo de brincadeiras em áreas externas e que envolvem mais criatividade por parte da criança vai interferir nas preferências do seu filho quando ele começar a ter um contato maior com as tecnologias fora de casa. 

“Não gosto de jogos de videogame, porque acho que eles acabam ficando sedentários e preguiçosos. Sentados no sofá, onde só levantam para comer, e voltam a jogar. Sei que ele vai crescer e vai ter esse contato com os amigos, não vou impedi-lo, mas tenho certeza que ele vai preferir jogar bola, ir à praia, brincar de esconde-esconde porque foi esse costume que passamos pra ele”, planeja a mãe de Arthur. 

Michele acredita que a praia é um lugar ótimo para levar Arthur. Foto: arquivo pessoal
  
Acreditando no poder da frase “criança vê, criança faz”, Michele procura não dar o exemplo a seu filho de uma pessoa que é dependente dos eletrônicos. “Se você não sair com seu filho para jogar bola ou ir à praia e ficar o dia todo mexendo no celular, iPad, iPod, computador, como acha que ele vai se interessar por outra coisa?”,  comenta a mãe que se orgulha com o bom desenvolvimento do filho com a fala e com a criatividade e desenvoltura pra contar histórias.

19 de nov. de 2013

Brincadeiras ao ar livre estão desaparecendo

Por Irina Vieira

Maria e Ricardo Caldas. Foto: Yri Maya
Atualmente as crianças brincam muito com jogos eletrônicos, passam horas no computador e nos smart fones. Elas estão preferindo esse tipo de lazer a uma brincadeira divertida como esconde-esconde ou pega-pega.

Quando era criança, o advogado Ricardo Caldas, 32, sumia dos olhos atentos da mãe e se divertia. “Eu brincava com todas as brincadeiras da minha época, empinava arraia, jogava bola, sou fanático por futebol. A maioria do meu tempo era jogando bola, gude, brincava muito com meus amigos de garrafão”.

Caldas explica as regras do garrafão: “a gente desenhava uma garrafa grande no chão, com um círculo na frente. Se uma pessoa pisasse, ou ficasse dentro do garrafão, ela corria o risco de levar cascudos, murros e tapas, então ela precisava correr rápido para o céu, que era o círculo. Participava quem tinha condições de apanhar. E era entre amigos, a gente se batia mas tudo se resolvia. Tudo tinha uma aposta, ou pagava uma prenda”, declara entre risos.

O advogado tem uma sobrinha de três anos, Maria, e fala sobre o tipo de brincadeira que ela gosta: “ela já está inserida nos jogos eletrônicos, o Pool, tipo tamaguche, que a pessoa, dá banho, dá de comer, apaga a luz para o bichinho dormir,” diz.

O tio lamenta a falta de interação social da menina. “Ela vê as outras crianças e não se empolga para brincar. Quando era mais novinha, ela ouvia a voz de uma das vizinhas e queria descer para o playground, só que agora ela prefere ficar nos jogos eletrônicos”, declara.

Maria brinca de esconder dentro de casa. Foto: Yri Maya
Como a pequena Maria só tem três anos, ela ainda precisa de cuidados. “Eu prefiro muito mais as brincadeiras que eu participava quando era criança, era muito mais divertido, interativo, a criança tinha a probabilidade de fazer mais amigos. Hoje em dia a pessoa não tem mais amigos, tem seguidoras no Facebook. Se isso é bom ou ruim vai mais por conta da violência também".

Caldas reconhece que brincar na rua é mais complicado do que antigamente."Hoje em dia, a pessoa não pode passar por isso, por que em qualquer lugar as drogas estão tomando conta, pessoas estão agindo de má fé, ainda é muito perigoso confiar”, declara.

O jornalista Márcio Vieira, 58, lembra que aprontava ao ar livre. “A gente juntava os grupos e brincava na rua, brincávamos de picula, guerrinha, Fura Pé, guerra de badogue com mamona. As brincadeiras que tínhamos eram na correria mesmo. A guerra de mamona, até certo ponto, era um pouco violenta. Juntavam duas turmas e quem acertasse o outro era como se tivesse matado, doía bastante, porque a mamona era como se fosse bala”.

Ele conta uma peripécia que fez quando era pequeno. “Eu tinha chegado da escola e fiquei entrando em casa, e pulando pela janela, entrava em casa e pulava pela janela. Lembro que fiz isso umas seis vezes, em um desses pulos, deu uma torção na coluna. Fiquei sem conseguir falar. Entrei em casa desesperado, não conseguia respirar direito, minha mãe e minhas tias pegaram água quente, misturaram, jogaram em cima de mim para dar um choque térmico. Só assim eu consegui voltar a falar e respirar novamente” recorda entre risos.

“Também lembro do dia que eu ganhei uma patinete. Fiquei numa felicidade danada. Tinha uma ladeirinha que comecei a descer com a patinete e, no finalzinho, eu freava, subia correndo com a patinete na mão e descia novamente. Numa dessas descidas perdi o controle e caí numa ribanceira. Saí capotando e me arrebentei todo, me arranhei, mas não tive nada grave”, lembra Vieira.

Algumas dessas brincadeiras são feitas hoje por poucas crianças. As mais vistas são picula e garrafão, o Fura Pé, como foi dito por Márcio, não é tão praticado pelas crianças de agora. “O Fura Pé precisa ser na terra, não tem outro jeito de brincar. No asfalto não dá, no playground também não, nem areia serve, pois areia é muito fofa, precisa ser mesmo em terra, tem de cravar o ferro na terra.” Veja as regras no vídeo abaixo:



Márcio vê vantagem e desvantagem nos jogos eletrônicos. “Ultimamente as crianças estão brincando mais de jogos no computador e videogame. Acabam esquecendo de brincar na real, pois estão brincando no virtual. A troca de experiências na rua é muito melhor. Porém existe muita violência nas ruas. É até complicado deixar o filho brincar na rua. Os pais se preocupam muito com isso, então as crianças acabam sendo privadas e ficando em casa brincando na Internet, que às vezes tem muitos jogos educativos”, declara.

O ruim da internet são os jogos de lutas, de armas, que as crianças estão jogando cada vez mais. Acabam mal influenciadas. Veja alguns sites com jogos educativos.
 
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